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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Por favor, não fale nada

Por favor, não fale nada
Se o conselho que me deres
Referir-se ao linguajar correto de um cristão.
Por favor, não fale nada
Se não for para sua fala vir acompanhada de atitudes
Não, não fale nada. Silencie. Até que sua caridade possa ser ouvida...
mesmo que em sussurro...
Não quero ouvir discursos,
Pedaços não são juntados com conselhos.
Há muito desiludi desse pseudo-evangelho.
Há muito desgastei-me com os contos rehma, rehma
Há muito aborreci-me com essa moral de causa e efeito
Onde sempre deve haver um motivo para o meu sofrimento.
Não, querido irmão!Não quero mais te ouvir!
Se não quiseres também entender que o vale talvez seja necessário!
E nesse vale...quem sabe eu encontre refrigério...
Não quero ouvir vãs filosofias,
Não quero parecer cristã,
Se não for para o evangelho estar entranhado em mim.


Rosana Bulgakov




sábado, 26 de janeiro de 2013

Como Sou Bom!

Lendo hoje Razão e Sensibilidade, de Jane Austen, lembrei-me daquela passagem de provérbios que diz que as misericórdias dos ímpios são crueis.* Está bem, não somos ímpios, pelo penos de forma declarada... mas, vejamos...

Somos constrangidos a uma boa ação, podemos fazer mais, porém encontramos justificativas para não a fazermos na íntegra...e ficamos tranquilizados com isso. De fato, somos seres egoístas, mesquinhos, gananciosos e presunçosos. Gabamo-nos de nossas realizações, mas, se as pudéssemos pesar numa balança, ficaríamos frustrados ao perceber que o ponteiro nem sairia do lugar.**

Justificamos nossas omissões, intolerâncias e avarezas. Somos possuídos por nós mesmos, pois acaba sendo tudo o que importa. Fazemos aquele chá para nosso companheiro somente depois de horas tentado dormir ao barulho de suas tosses. Caridades são puro desejo de holofotes. Fazemos certas 'bondades' pensando no bem que elas nos trarão.

No romance, a mulher do sr. Dashwood , o prometido bem-feitor da família, é descrita como a perfeita caricatura de si mesma. Ela o convence a fazer menos do que poderia ser feito, alegando que boa parte dessa fortuna seria tirada do filho. No lugar da anuidade que pagaria aos seus entes, o sr. Dashwood decide que ocasionais doações seriam feitas, em comida ou em bens. Ele sente-se perfeitamente confortável com os argumentos da esposa. A promessa feita ao seu pai no leito de morte,  de que traria conforto à sua madrasta e meio-irmãs,  vai lentamente perdendo toda a sua expressão.

Quantos problemas não seriam de fato resolvidos? Quantas privações não precisariam ser provadas? Quanta dor não precisaria ser sentida? Mas graças a Deus que, em meio a tantas dificuldades e provações, Ele traz também a provisão, o livramento e a capacidade de se andar com os próprios pés. Minha oração nesse dia é para que Deus nos cure de nós mesmos, fazendo brotar em nosso interior a fonte da água que salta para a vida eterna.***

Que tal fonte se expresse em amor verdadeiro, bondade sem interesses, caridades sem pretenções, misericóridias sem ameaças e dádivas sem julgamentos.

Rosana Bulgakov

 *Pv. 12:10
 ** Is. 64:6
 ***Jo. 4:14

domingo, 13 de janeiro de 2013

PARADOXOS



Se a contradição for o pulmão da história, o paradoxo deverá ser, penso eu, o espelho que a história usa para debochar de nós.

Nem o próprio filho de Deus salvou-se do paradoxo. Ele escolheu, para nascer, um deserto subtropical onde jamais nevou, mas a neve se converteu num símbolo universal do Natal desde que a Europa decidiu europeizar Jesus. E para mais inri, o nascimento de Jesus é, hoje em dia, o negócio que mais dinheiro dá aos mercadores que Jesus tinha expulsado do templo.

Napoleão Bonaparte, o mais francês dos franceses, não era francês. Não era russo Josef Stalin, o mais russo dos russos; e o mais alemão dos alemães, Adolf Hitler, tinha nascido na Áustria. Margherita Sarfatti, a mulher mais amada pelo anti-semita Mussolini, era judia. José Carlos Mariategui, o mais marxista dos marxistas latino-americanos, acreditava fervorosamente em Deus. O Che Guevara tinha sido declarado completamente incapaz para a vida militar pelo exército argentino.

Das mãos de um escultor chamado Aleijadinho, que era o mais feio dos brasileiros, nasceram as mais altas formosuras do Brasil. Os negros norte-americanos, os mais oprimidos, criaram o jazz, que é a mais livre das músicas. No fundo de um cárcere foi concebido o Dom Quixote, o mais andante dos cavaleiros. E cúmulo dos paradoxos, Dom Quixote nunca disse sua frase mais célebre. Nunca disse: Ladram, Sancho, sinal que cavalgamos.

"Acho que você está meio nervosa", diz o histérico. "Te odeio", diz a apaixonada. "Não haverá desvalorização", diz, na véspera da desvalorização, o ministro da Economia. "Os militares respeitam a Constituição", diz, na véspera do golpe de Estado, o ministro da Defesa.

Em sua guerra contra a revolução sandinista, o governo dos Estados Unidos coincidia, paradoxalmente, com o Partido Comunista da Nicarágua. E paradoxais foram, enfim, as barricadas sandinistas durante a ditadura de Somoza: as barricadas, que fechavam as ruas, abriam o caminho.

p. 126
Eduardo Galeano in O Livro dos Abraços.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Cristo nossa paz


Vinde a mim todos que estão cansados e oprimidos e eu vos aliviarei, e darei descanso às vossas almas.

Jesus nos chama a irmos a Ele. Estranhamente, entendemos que existe um lugar especial para encontrá-lo. Porém, ir a Jesus implica em seguir os seus passos, os seus exemplos, que não são pesados. É encontrá-lo dentro de nós mesmos.
Nele encontramos o verdadeiro descanso. Isto implica o abandono de práticas sacrificiais para encontrar a Deus.
Nele encontramos alegria. Aquela que vai além das aparências. É a certeza de que somos dEle.
Se todos lessem os evangelhos com o propósito de conhecer a Jesus, não entrariam em tantas armadilhas que a religião humana tem preparado para os desavisados.
Os evangelhos nos apresentam um Jesus que compartilha o pão. Um Jesus que deixa ir livre a mulher pecadora, e não a julga. Um Jesus que não levanta e nem manda levantar construções para sua adoração. Um Jesus que ama as crianças e que as deixa vir a si. Um Jesus que dá ao cobrador de impostos a oportunidade de adorá-lo na sua prática diária.
Ele nos convida a beber da água que Ele tem a nos dar, pois esta se fará uma fonte no interior de quem a beber, fonte esta que romperá para a vida eterna.
Nesta fonte inesgotável é que encontramos o combustível para a prática diária do amor e das boas obras, e isso se torna natural.
Neste Jesus encontramos paz.

Rosana Bulgakov

domingo, 23 de outubro de 2011

Lei da equivalência das Janelas




"Assim, eu, Brás Cubas, descobri uma lei sublime, a lei da equivalência das janelas, e estabeleci que o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência". (Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)

Isso foi o que Brás Cubas concluiu depois de ter devolvido ao seu devido dono uma moeda de ouro que encontrara logo após ter valsado e flertado com a mulher alheia a noite inteira, compensando, a seu modo, um ato leviano com um outro louvável.

Amanhã é domingo. Durante toda a semana fechou-se a janela da generosidade, do amor, da misericórdia e do perdão...mas não tem problema! Amanhã abrir-se-á a janela da devoção, do levantar das mãos e das canções pra 'Jesus' para desencargo de consciência.

Rosana Bulgakov

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Todos encontram o que realmente procuram





As Crônicas de Nárnia sempre me fascinaram, pois além da leitura estimulante que proporcionam, trazem o Evangelho de forma inteligente e emocionante. É realmente incrível a profundidade de ensino que cada aventura e cada situação nos mostra.

Hoje em especial, gostaria de refletir sobre uma cena do último livro das Crônicas: O encontro de um servo de Tash com o Grande Aslam.
Tal servo fora recebido pelo grande leão como sendo servo seu, pois fora o seu amor e a sinceridade de seu coração que o identificaram como servo de Aslam.

Mas afinal de contas, quem entrará no tabernáculo de Deus?1
O Salmista mostra que é aquele que anda sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração.
Discorrendo o salmo, todas as outras afirmativas enfatizam a sinceridade e a justiça, pois é esperado de quem seja justo que também não empreste com usura, não dê mau testemunho do inocente e que também não tenha duas palavras.
Desde os tempos bíblicos que os homens seguem a letra da lei (mesmo que esta tenha sido dada por Deus) para colocarem em prática a crueldade de seus corações.
Quantas mulheres não foram mortas por terem sido consideradas adúlteras?
Quantos não foram queimados vivos por seus escritos serem considerados hereges?
Quantos não foram excluídos por terem sido considerados pecadores?
É algo totalmente a contramão do Evangelho!

Em Mateus, Jesus afirma não conhecer (não andar junto de) aqueles que mesmo em seu nome profetizaram e fizeram muitas maravilhas, pois só Ele conhece a integridade do coração humano.

Que Deus nos ilumine a mente de tal maneira, que não caiamos no erro de nos transformarmos num saleiro recluso e muito menos numa arma de guerra em nome de Jesus. Pelo contrario! Que venhamos ser de fato o sal que esteja espalhado pelo mundo, contagiando a todos com sabor de vida, amor e graça.

Afinal, o que estamos procurando?


Rosana K. Bulgakov

1. Salmo 15

Aslam e Tash



“Esta é certamente a hora da minha morte, pois o Leão (que é digno de toda a honra) bem saberá que, durante toda a minha vida, tenho servido a Tash e não a ele. No entanto, melhor é ver o Leão e depois morrer do que ser Tisroc do mundo inteiro e viver sem nunca havê-lo encontrado.” Porém, o glorioso ser inclinou a cabeça dourada e me tocou a testa com a língua, dizendo: “Filho, sê bem-vindo!” Mas eu repliquei: “Ai de mim, Senhor! Não sou filho teu, mas, sim, um servo de Tash!” “Criança”, continuou ele, “todo o serviço que tens prestado a Tash, eu o considero como serviço prestado a mim.” Então, tão grande era o meu anseio por sabedoria e conhecimento, que venci o temor e resolvi indagar o glorioso ser: “Senhor, é verdade, então, como disse o macaco, que tu e Tash sois um só?” O Leão deu um rugido tão forte que a terra tremeu (sua ira, porém, não era contra mim), dizendo: “É mentira! Não porque ele e eu sejamos um, mas por sermos o oposto um do outro é que tomo para mim os serviços que tens prestado a ele. Pois eu e ele somos tão diferentes, que nenhum serviço que seja vil pode ser prestado a mim, e nada que não seja vil pode ser feito para ele. Portanto, se qualquer homem jurar em nome de Tash e guardar o juramento por amor a sua palavra, na verdade jurou em meu nome, mesmo sem saber, e eu é que o recompensarei. E se algum homem cometer alguma crueldade em meu nome, então, embora tenha pronunciado o nome de Aslam, é a Tash que está servindo, e é Tash quem aceita suas obras. Compreendes isto, filho meu?” Eu respondi: “Senhor, tu sabes o quanto eu compreendo.” E, constrangido pela verdade, acrescentei: “Mesmo assim, tenho aspirado por Tash todos os dias da minha vida.” “Amado”, falou o glorioso ser, “não fora o teu anseio por mim, não terias aspirado tão intensamente, nem por tanto tempo. Pois todos encontram o que realmente procuram.”


C.S. Lewis
As Crônicas de Narnia , Vol. VII
A Grande Batalha

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