domingo, 19 de dezembro de 2010

Caminhos




Eu pretendia ser alguém invulnerável
Mas por onde passei sofri ambigüidades
Será que poderia chegar lá?

E lá pensava ter chegado
Apenas minutos se passaram e gemia
Mesmo assim, insisti no meu domínio

O domínio dele, insensatamente, abandonei
Então, mais um dia se passou
Tentei, por meus próprios meios, chegar a tempo

O tempo, porém, revelou-me o Eterno
A expectativa de alcançá-lo desabou
Me entreguei, então, à culpa e sofrimento

Mas sofrimentos deixam marcas
Ele mostrou também as suas
Adquiridas qual em meus caminhos

Meus caminhos não foram os seus
Mas seus pesares também tinha
Divindade sendo gente como eu

Eu, vazia, não quis acreditar
Ser a sua luz amor verdadeiro
Capaz de transformar a cada um

E cada um de nós, barro
Argila imperfeita no seu formato
Individualmente incapaz de tornar-se um vaso

E vasos somos feitos por suas mãos
Moldados dia a dia mansamente
Apesar desses caminhos tortuosos

Meu tortuoso domínio limitado
Finalmente a Ele quis oferecer
Modelada té que a tempo chegue lá

Rosana K.Bulgakov

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Desviei-me



“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”

Conheci a verdade e saí da “igreja”. Em outras palavras: desviei-me.
Sim, desviei-me do caminho do medo e desamor.
Desviei-me de um caminho onde muitos servem a Deus por temor, pois crêem ser Ele um senhor cruel, que ceifa onde não semeou e ajunta onde não espalhou.
Sim! Desviei-me de um caminho onde as pessoas são ensinadas a barganhar com Deus, a exemplo dos povos pagãos. Onde tudo é feito por interesse.
Acordei um dia e vi escravos levados às campanhas infindáveis e a “cultos” obrigatórios. Reféns do medo e das soluções imaginárias.
Descobri que buscar o reino de Deus e a sua justiça em primeiro lugar não significa freqüentar templos, já que o próprio Jesus disse: “Eis aqui quem é maior que o templo”.
Descobri que o reino de Deus e a sua justiça é justamente atender ao necessitado.
Compreendi finalmente que Ele espera ser adorado em espírito, no mais íntimo do meu ser, e em verdade, com todas as minhas entranhas nessa devoção. A certeza de não querer ser vista pelos homens. É no dia a dia, na minha casa, no meu trabalho, na minha vizinhança, em todos os lugares.
Desviei-me, pois de um caminho onde o Evangelho é destorcido. Onde o templo é mais importante que Jesus. Onde a prosperidade é um fim e o cargo religioso a evidência do “talento” em prática.
Acreditam mesmo que estamos perdidos... pois fora da “igreja” creem que não há salvação.
Para estes uma novidade: Fora de Jesus não há salvação. Crer em Jesus é tudo. Está consumado.
Cessaram-se os sacrifícios e todo tipo de jugo.
Eu e minha casa serviremos ao Senhor por amor e gratidão ao que foi feito na cruz do calvário.
Claro está que o serviço a Deus não se resume a participar de uma instituição.
Se isso acontecer será feito pelo prazer de se estar junto com outros irmãos queridos.
A bem da verdade, encontrei gente querida e abençoada muito mais agora do que em anos freqüentando templos. Gente cujo amor não está presente apenas no falar, mas também na prática diária.
Encontrei irmãos naqueles que a igreja rotula “perdidos”. Encontrei amigos entre aqueles que chamam “coitados”. Achei serviço e dedicação sem que precisasse pedir!
Enfim, desviei-me de um caminho enganoso, cheio de moralismos inúteis, para encontrar O Caminho, A Verdade, A Vida.

Rosana Bulgakov

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Ócio Religioso


Porque se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe... II Pe I.8


Pedro falava da nova postura que, como participantes da natureza divina, deveríamos tomar: fé, virtude, ciência, temperança, paciência, piedade, amor fraternal e caridade... uma coisa se somando sempre à outra.

Por que será que o ser humano prefere iludir-se?

Por que será que é preferível encher o gazofilácio em vez de encher a barriga de um menino de rua?

Por que será que é preferível bater ponto no templo aos domingos a visitar a viúva, o enfermo, o órfão ou até mesmo um amigo?

Por que será que se defende com unhas e dentes as hierarquias religiosas quando Jesus disse: “Tal não será entre vós”?

Por que será que precisamos de hora e lugar para adorar, deixando de adorar a Deus no trato das pessoas, na honestidade do trabalho, na piedade diante da necessidade e da dor?

Alguém um dia me falou: “Se a gente começar a dar esmolas por aí, vão montar uma barraca na porta da nossa casa...”

De repente é confortável que a “igreja” administre o dinheiro que deveria ser destinado aos pobres. Típico desencargo de consciência. É preferível não pensar.

De repente é preferível seguir as dissoluções dos falsos profetas que negam o Senhor que os resgatou (2 Pe 2.1), pois acreditam que o sacrifício de Jesus não fora o suficiente para sermos aceitos por Deus.

De repente é preferível rejeitar argumentos como estes por puro comodismo, afinal, segue-se normas humanas desde criança acreditando que elas vêm do próprio Deus.

Muitos, embora fazendo carreira na “igreja”, não foram informados ou não querem enxergar que estão apenas voltando ao passado e cumprindo leis alheias.

No novo estado de consciência na qual Cristo nos colocou, somos livres dos sacrifícios da culpa.

Somos livres para sermos filhos e, como filhos, participantes de maiores promessas. Daí o dar fruto não como exercício da culpa, mas como exercício do amor que Ele derramou em nossos corações.

Pedro, inspirado pelo Espírito, diz que se essas coisas se encontrassem em nós e se fossem abundantes, não nos deixariam ociosos no conhecimento do Senhor.

É fato. Se verdadeiramente observarmos os passos de Jesus, não nos faltarão oportunidades para exercermos o amor. E o verdadeiro amor lança fora todo medo.

"Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me". Mat 25.34-36



Rosana K. Bulgakov

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Volta ao início


“Quero voltar ao início de tudo...” já dizia a canção do grupo Rebanhão. Se todos os que dizem amar a Deus quisessem mesmo isso, começariam a ler mais os evangelhos e descobririam o quanto estão distantes daquele início...

Pra começar, deixariam de ver o templo como local sagrado, pois os templos dos judeus não têm seu lugar na igreja que foi formada por Jesus, na sua morte e ressurreição.

Ele disse: “Derribai este templo, e em três dias o levantarei”¹. Isso falou Ele referindo-se ao templo do seu corpo, à sua própria morte e ressurreição.

As campanhas e sacrifícios seriam então banidos, pois o único sacrifício realmente eficaz foi o do Cordeiro de Deus. Só Deus pôde agradar a Deus. O padrão do sacrifício é divino, não humano. E a sua graça alcançou a toda a humanidade.

Os pastores e padres perderiam o seu lugar de reis, bem como deixariam de existir suas cadeiras especiais, pois estas foram adotadas nas primeiras catedrais, onde Cátedra significa o edifício que contém o trono do Bispo.

Jesus disse: “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas”. ²

A idolatria do lugar deixaria de existir, posto que as primeiras catedrais construídas pelo cristianismo tenham sido construídas sobre os túmulos dos mártires. Os pagãos acreditavam que o lugar onde estes eram enterrados era santo³. O misticismo pagão veio para dentro do que nem mesmo deveria ter se tornado uma religião, isso a cerca de 500 anos.

Jesus disse: “Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai... Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.” ³

Jesus mostra que o que importa realmente é a verdade do nosso coração, o que trazemos dentro. Se nossas ações são feitas em amor ou apenas para sermos vistos pelos homens...

Os rituais perdem todo o seu sentido.

A comunidade dos primeiros cristãos, como organismo vivo, edificava-se mutuamente. Sem rituais ou liturgias, todos participavam espontaneamente da reunião dos santos.* Creio que as reuniões informais que realizamos em nossos lares, com familiares e amigos, se aproxime muito da primitiva igreja.

Hoje, o que temos é a passividade do povo de Deus. Estes servem apenas como espectadores do espetáculo que chamamos culto.

É lhes dado apenas a ilusão da adoração, quando estes cantam em conjunto...
O discurso religioso, na sua monossemia, ou seja, no seu sentido único, é inquestionável, posto que a igreja veja seus líderes como “boca de Deus”, termo usado pela primeira vez por Calvino. Não é à toa que não é permitido questioná-los, principalmente durante o “culto”.

Jesus Cristo: Templo, Sacrifício e Sacerdote. No entanto, continuamos construindo templos, promovendo sacrifícios e elegendo sacerdotes.

É preciso mesmo uma “volta ao início de tudo... rever os conceitos, valores... reconstruir”

Rosana K. Bulgakov


1. João 2.19.
2. João 10.11
3. João 4.21,23
4.Viola, Frank A. Cristianismo Pagão. Origens das práticas de nossa igreja moderna.
5. ORLANDI, Eny Pulcinelli. O Discurso Religioso. In: A Linguagem e seu Funcionamento.

*I Co 14.26: Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Profeta do Senhor


Quando o profeta falar em nome do SENHOR, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o SENHOR não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele.” Deut. 18.22

Ainda há muita gente enganada por doutrinas remanescentes da teologia da prosperidade.
Frases como “Determine a benção, meu irmão!”; “Decrete a vitória!”; “se a palavra não surtir efeito sobre a tua vida é porque você não creu” e etc ainda são muito ouvidas no meio evangélico.

Há pouco tempo presenciei algo semelhante. Um profeta trouxe uma palavra e, logo após, disse: “Mas você tem que crer. Faça um jejum de uns sete dias...”
Para mim, isso não passa de uma forma esperta do profeta se eximir da responsabilidade de profeta. Se a tal palavra não se cumprir, não seria por ele ter profetizado uma palavra que não era de Deus, mas porque o ouvinte não creu. Tenha a santa paciência...

Nessa brincadeira muita gente é prejudicada...

Quantos não entram em profunda depressão por não conseguirem curas com o “poder da palavra”, e o pior, escondem de todos a depressão por temerem julgamentos, tais como: “ele tá nessa porque não creu”, “crente não pode ficar com depressão”, “há algo errado com ele”... sem falar nessa outra parcela dos que se tornam juízes do próximo.

Muitos ainda, embora percebam que exista algo de errado com essa teologia, temem questionar os porta-vozes de tal heresia. Passam anos pensando que o problema é pessoal. Não conseguem libertar suas mentes desse mal que os assola.
Outros rejeitam tratamentos médicos, e até mesmo psiquiátricos que lhes fariam muito bem, por terem sido convencidos que apenas o pensamento positivo e a aplicação de versículos bíblicos como liberação de palavras mágicas lhes trarão curas miraculosas.
O maior engano de quem assim crê, é desacreditar que doenças, lutas financeiras, familiares e outras batalhas podem sim ser manifestação da Graça de Deus. Esta está presente em qualquer situação da vida.

Gosto de um texto do Caio em que ele diz que existem situações que acreditamos serem nossas maiores bênçãos e que acabam se tornando nosso maior mal, ao passo que existem outras que, a princípio, parecem ser nosso maior mal e que se transformam em nosso maior bem. Há ainda aquelas que somente na eternidade nos serão reveladas...
Aplicar a nossa vida princípios fixos, leis fixas, pode ser muito perigoso.

Muitos, de tanto serem nocauteados pela vida e por sua não correspondência às tantas determinações, declarações e sacrifícios barganhantes, mergulham de vez numa vida sem Deus, já que colocam todo esse lixo num mesmo pacote.

É preciso separar as coisas. O Evangelho diz claramente que no mundo teríamos aflições, mas que não devíamos perder o ânimo.

O apóstolo Paulo nos dá um exemplo de fé, e não é essa fé que as igrejas ensinam. Ele diz que aprendeu tanto a ser honrado quanto a ser humilhado, tanto a padecer necessidade quanto a ter fartura. Essa fé é crer que em toda e qualquer situação Deus não nos abandonou e que, se prestarmos um pouco mais de atenção, a Sua Graça tem nos reservado um presente especial. Não é à toa que Paulo nos diz para darmos graças em tudo, pois esta é a vontade de Deus nosso Pai.

É nesse descanso que o Evangelho me propõe andar, crendo na soberania de Deus.

Rosana K. Bulgakov

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Água e Sabão


Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo?
Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?
Isaías 58.6,7



Recentemente, numa palestra da Secretaria de Saúde, um doutor estava falando da importância de se lavar as mãos corretamente.
Alguém no auditório perguntou sobre o uso do álcool gel, se este era mesmo eficaz.
O médico respondeu que este deveria ser usado apenas na falta da água e do sabão, quando o ambiente onde estamos não puder nos oferecer o que de fato leva a sujeira embora. O álcool gel funciona como uma luva sob a qual ainda estão aninhados microorganismos e bactérias diversas.

Lembrei-me de que Jesus havia chamado os fariseus e escribas de ¹sepulcros caiados sob os quais estavam ossos de mortos e toda imundícia, embora exteriormente parecessem formosos.

É algo mesmo a se pensar... Quantos não levam uma vida de aparente beleza, uma freqüência considerável na “igreja”, um vestir-se de maneira tal a dizer: ‘ é assim que um crente deve andar’; um modo de falar que impressiona, uma atividade sem fim na instituição, sinais e maravilhas, porém... interiormente devorado pelo verme da culpa, do ² estender do dedo e falar vaidade, da obsessão do fazer em detrimento do ser, da obstinação em parecer frutífero sem a compreensão que o fruto vem da videira...

O pior de tudo isso é quando a pessoa ainda consegue contaminar quem está a sua volta. É o tal fermento dos fariseus... uma praga.

Jesus nos ensina a ficar longe do ³fermento dos fariseus.
Sinais e maravilhas não são provas de que Deus aprova os atos de um homem. Se assim fosse, a resposta de Jesus a quem lhe declara que em Seu nome foram expulsos demônios e muitas maravilhas foram feitas não haveria de ser: Apartai-vos de mim, vós os que praticais iniqüidades (Mateus 7.22)

É triste saber que o que comumente é chamado igreja, não passa de instituição empresarial onde apenas o lucro é visado. Daí o negar a suficiência do sacrifício de Jesus e atolar o rebanho em afazeres sem fim, principalmente aqueles que trarão algum retorno financeiro.

Gostaria de saber de alguma instituição que tenha conduzido o rebanho a jejuar da maneira que é ensinada em Isaías 58.
Aqui, antes de qualquer abstinência de alimentos, é ensinada a prática das boas obras: libertar o oprimido, cobrir o nu, repartir o pão e não se fazer de cego ante a necessidade do próximo. Este é o verdadeiro jejum. Esta é a verdadeira religião.

No entanto, o que vemos é justamente o denunciado no versículo 3 de Isaías 58: Eis que no dia em que jejuais achais o vosso próprio contentamento, e requereis todo o vosso trabalho. É a tal luva que oculta as verdadeiras intenções do coração humano: a satisfação do ego.

É preciso uma boa lavagem da água e do Espírito. Chega de ornamentar o exterior para ser visto pelos homens.
É preciso urgentemente deixar as práticas que apenas camuflam o que está no interior de cada um.
É preciso saber que seguir a Jesus é tudo. Como fazer isso? Basta conhecê-lo pelos Evangelhos.

Ele não escondeu-se de quem por Ele clamou.
Repartiu o pão.
Curou quando apenas creram, sem exigir sacrifícios ou pagamentos.
Deixou que fossem pra casa aqueles que libertou e não exigiu que o seguissem nem que permanecessem no templo.
Não julgou os que sofriam algum mal ou enfermidade.

É este Jesus que nos lava verdadeiramente.


1. Mateus 23.27
2. Isaías 58.9
3. Mateus 16.6

Rosana K. Bulgakov

sábado, 8 de maio de 2010

Vida Eterna



As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam. I Co 2.9

Quantos já não ouviram tentativas de descrição do que será a Glória? Quantos já não imaginaram o céu como um lugar tedioso onde apenas serão ouvidas canções pelos salvos?
Mesmo que o apóstolo João tenha feito descrições no Apocalipse do que seria o céu, este usou comparações terrenas ao que não pode ser comparado a nada que conheçamos.
De uma coisa temos certeza, a Bíblia nos diz que com o Senhor reinaremos¹. Diz o livro de apocalipse que o Cordeiro fez dos seus santos reis e sacerdotes para Deus; e eles reinarão sobre a terra². Ser rei e sacerdote é bem diferente de ser um eterno cantor...
Não há imaginação suficiente, não há descrição que seja fiel ao que Deus preparou para os que o amam. De uma coisa, porém, podemos ter certeza: do amor do Pai.
O apóstolo Paulo recomenda-nos a nos fortificarmos na Graça do nosso Senhor Jesus Cristo.
Há sempre uma ânsia no coração humano pelo que é preciso ser feito para se herdar a vida eterna³.
Seguir a Jesus é tudo. Nada mais importa.
Crer no Evangelho, que Deus nos reconciliou consigo mesmo por meio de Jesus, é essencial para que vivamos da Graça e em Graça em toda a nossa maneira de viver.
Não existem trocas a fazer com Deus, pois tudo Ele fez. Basta apenas crer. É essa a liberdade que temos nEle.
Dessa forma, entendemos que o céu começa na atmosfera que cerca a nossa vida, mesmo que esta esteja ainda sujeita à corrupção da carne.
Cristo é o pão que desceu do céu. Quem dele se fartar nunca morrerá*.

Rosana K. Bulgakov

1. 2 Tim. 2.12
2. Apoc. 5.10
3. Lc. 15.18
8 João 6

terça-feira, 27 de abril de 2010

Meu irmão escravo



Nós resgatamos os judeus, nossos irmãos, que foram vendidos às nações, segundo nossas posses; e vós outra vez venderíeis a vossos irmãos, ou vender-se-iam a nós? Então se calaram, e não acharam que responder. Neemias 5.8

Neemias liderava a honrosa tarefa de reedificação dos muros de Jerusalém.
Tamanha era a vontade do povo de que Jerusalém fosse reedificada que o coração de todos estava inclinado a trabalhar¹.
É a alegria do propósito. Tanto é que mesmo sob grande ameaça do ataque dos inimigos, trabalhavam cingidos por um lado de suas armas e por outro de suas ferramentas, sem cessar!
Porém Neemias teve que se deparar com uma dura realidade contrastada ao entusiasmo da reedificação: a opressão que os nobres e magistrados exerciam sobre aqueles que voltaram do cativeiro.
Estes viam-se no direito de arrendarem suas terras e lucrarem excessivamente com o trabalho dos seus próprios irmãos. Não havia dinheiro suficiente nem mesmo para os impostos e estes miseráveis eram obrigados a tomar emprestado.
Neemias chama a atenção dos que dominavam sobre os ex-cativos e abre os seus olhos para a ironia do que vinha acontecendo: Resgatamos nossos irmãos para torná-los nossos escravos.
Alguma semelhança ao que vemos hoje em dia?
Quantos não foram conduzidos à igreja na promessa de serem libertos da escravidão do pecado e, ironicamente, se tornaram escravos da instituição?
Quantos não perderam aquela grande alegria da edificação por gratidão e, em troca, receberam o jugo do compromisso?
Nada mais é realizado pelo entusiasmo de se verem vidas alcançadas pelo Evangelho que liberta e nem pelo crescimento espiritual e intelectual da comunidade. Em vez disso, o amor a si mesmo de muitos líderes tem conduzido o rebanho por um caminho íngreme e pedregoso.
Oprime-se o rebanho. São lhes tiradas sua lã, sua gordura e até mesmo o seu pasto.
Imprime-se nele uma “gratidão” forçada, posto que foram tirados do lamaçal do pecado e agora tem a obrigação de contribuir e de tornar-se o sustento da “obra”, em detrimento do bem estar pessoal e familiar.
Ovelhas desgarradas cujos pastores apascentam-se a si mesmos.
Não há o que responder. Os nobres se calaram diante de Neemias. Infelizmente, em oposição ao que estes fizeram, hoje ouvimos muito o direito de resposta. Dá-se sempre um jeitinho de extorquir o rebanho usando-se até mesmo a Bíblia para justificativa própria.
Mas ainda há esperança. Se ali, num tempo em que a lei conduzia o discernimento de bem e mal nos corações do povo israelita, muito mais agora, quando conhecemos a Graça do nosso Senhor.
É preciso deixá-la nos governar a exemplo de Neemias.
Tamanha era sua inclinação para o bem do povo que este fora contagiado pelo mesmo intento.
É necessário crer que é o Senhor quem opera em nós tanto o querer como o realizar, e tudo o mais, a seu tempo, ficará edificado, se este for o propósito de Deus.
Não é preciso gritar. Não é preciso cobrar “gratidão”. Não é preciso escravizar quem fora uma vez por todas liberto.

Rosana Bulgakov


1 Neemias 4.6

domingo, 18 de abril de 2010

Mas era domingo


Lamento que por tantos anos não houvesse aberto os olhos!
Gostaria ter soltado da prisão a alma oprimida - mas era domingo! Dia de ir pra igreja.
Gostaria ter ficado mais algumas horas ao lado daquela amiga angustiada - mas era domingo! Não podia faltar ao "culto"!
Gostaria ter pego um violão e louvado ao Senhor junto aos meus familiares - mas era domingo! Devia buscar a Deus em primeiro lugar,o que pensava ser possível apenas na "igreja".
Gostaria ter feito aquela visita... mas era domingo! E durante a semana não tinha tempo pra isso, pois trabalhava.
Puxa... quanto bem deixei de fazer por ter que fazer o que achava que era o certo...
Ao passo que Jesus diz: "¹O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado".
Hoje entendo que também o domingo fora feito por causa do homem, e não o homem por causa do domingo... Ele é o Senhor não apenas do sábado, mas também do domingo e de todos os dias da semana.
Hoje compreendo que todos os dias e o dia inteiro sou confrontada a analisar o meu andar conforme o Evangelho.
Há quem diga: ²Seis dias há em que é mister trabalhar; nestes, pois, vinde para serdes curados, e não no dia de 'domingo', e assim se vai vivendo uma vida mesquinha, cujo propósito é definido em se ir à igreja aos domingos(alguns chamam de dízimo do tempo), e o resto da semana pra si mesmo, já que seu tempo é dividido em trabalho, escola, família...e igreja.
Mas o Evangelho mostra-me que não deve existir um dia específico para buscar a Deus.
Mostra-me que o buscar a Deus não se resume em ir à igreja.
Mostra-me que Jesus curou no templo, mas muito mais fora dele.
Ele mesmo falou: ³Pois eu vos digo que está aqui quem é maior do que o templo.
Hoje compreendo que negar-me essa necessidade psicológica de estar num templo por conta de uma visita, pode ser uma oportunidade maravilhosa de trazer o Evangelho.
Compreendo que um momento de lazer com amigos ou familiares pode ser um momento em que Deus falará ao meu coração muito mais alto e claro do que penso que Ele fale no púlpito de um templo.
Compreendo que Ele não estipulou hora e lugar para adorá-lo, mas me chama a adorá-lo em espírito e em verdade. É maravilhoso saber que isso posso fazer em qualquer lugar!
Não preciso ficar "zen", não preciso sair de mim, não preciso fechar os olhos e levantar as mãos se a minha vida for uma canção que o adore.

Rosana Bulgakov

1. Marcos 2.27
2. Lucas 13.14
3. Mateus 12:6

domingo, 4 de abril de 2010

Páscoa



¹Ele é a nossa páscoa...
Toda a Escritura me aponta o Verbo de Deus,
Cordeiro que a si mesmo entregou por toda a humanidade,
Assumindo dela a sua culpa,
Deliberadamente declarando por ela o seu amor
Deliberadamente salvando aqueles que se haviam perdido.
Ele também é o Pastor
Que dá a própria vida pelas ovelhas
E a todas conhece pelo nome
Ele conhece o pesar de cada uma delas.
Ele que no jardim suou gotas de sangue
Por toda a angústia que sentia no peito
E que pediu a seus amigos que ficassem com ele por ao menos uma hora
Mas estes o abandonaram...
Sim, ele conhece o abandono
Ele conhece o sofrimento
Ele não rejeita àquele que por ele chama...
Eu não mereço tanto amor
Não mereço seu perdão
Não mereço sua companhia
Mas Ele realmente não nos dá o que merecemos
Pois assim fazendo
Ninguém no mundo teria a chance de mudar o curso do seu caminhar.
Tudo o que Ele fez e que faz chamamos Graça
Sim, é esse favor imerecido que nos alimenta a alma
É a seiva que nos faz produzir frutos de bondade e misericórdia
Que põe-nos entre gente que precisa desse tempero do amor
Por isso ele nos chama ²“sal”
Que põe-nos entre gente mergulhada em escuridão
Por isso Ele nos chama ³“luz”
E é nesse caminho estreito que é o do amor
Que somos chamados para sermos como crianças.
Que a malícia não encontre em mim esconderijo
Que a maldade não faça em mim o seu ninho
Que a vingança jamais envenene o meu ser
E que o meu ser nunca deixe de ser ...
Seja eu mesma a singularidade do seu amor

Rosana K. Bulgakov

1. I Co 5. 7
2. Mt 5.13
3. Mt. 5.14

quarta-feira, 31 de março de 2010

Jacarandá


 

_ Jacarandá!
_Dá!
_ O que eu mandar?
_ Faremos!
_ E se não fizer?
_Apanharemos!
_ Então eu quero que vocês...


Essa era uma das minhas brincadeiras da infância.
O que me fez recordá-la, incrivelmente, foi o sistema religioso no qual muitos estão envolvidos.
Aprendemos, desde cedo, que Deus exige uma série de coisas dificílimas de serem cumpridas pelo homem. Também exige a abstinência de prazeres considerados mundanos, como ir a um clube, praia, jogar futebol, etc. Se bem que, estas últimas, sofreram uma certa atualização...
Aprendemos que o domingo, ou o sábado, para alguns, é do Senhor. E que neste dia não podemos fazer nada além de dedicarmos tempo para Deus, e isto se traduz em estar na escola dominical e no culto à noite. Quantos bons e produtivos momentos em família e entre amigos perdemos por conta dessa obrigação...
Infelizmente o termômetro de espiritualidade para muitos está evidenciado no número de vezes que vão à igreja. Se por alguma eventualidade não se vai à igreja, a pessoa se sente fraca espiritualmente.
Aprendemos que Jesus morreu na cruz para nos salvar, mas para que continuemos salvos, devemos ressuscitar uma série de obras mortas da velha aliança, e pô-las em prática.
Nunca aprendemos que a aliança do Sinai, a velha aliança, fora feita exclusivamente com o povo Israel. Uma aliança de condenação e que só reafirmava o pecado, mostrando ao homem sua incapacidade de auto-justiça.
Raramente se fala da nova aliança, aquela feita com sangue pelo próprio Senhor, feita com toda a humanidade, e o que ela significa.
O livro de Gálatas, se não ignorado, é lido particionadamente e sem uma compreensão global do que ele nos apresenta: A diferença entre a Lei e a Graça.
Hebreus, então, nem se fala... a linguagem parece difícil de ser compreendida, melhor não ler...

Assim como Abraão, os líderes religiosos acham penoso terem que lançar fora a escrava e seu filho, afinal, há muito o que se perder... 

Manter o povo debaixo de jugo, "servindo" a Deus por medo ou em troca de bençãos parece ser uma forma conveniente de manutenção da "casa do tesouro"... o que não nos é dito é que esse termo era usado para o templo-estado de Israel e que sua função era o sustento da viúva, do órfão, do estrangeiro e do sacerdote levita... 

Paulo faz uma analogia entre Agar (a escrava de Abraão) e Sinai, o monte onde a aliança da lei fora feita.
Ele nos diz para lançarmos fora os rudimentos fracos e pobres da antiga aliança, pois jamais o filho da escrava herdará com o filho da livre.
Mas muitos ainda não conseguem entender que ¹somos filhos da livre, ou seja, Sara, representada pelo monte Sião, da qual Deus suscitou descendência a Abraão, no qual são benditos todos os povos da terra.
Continuamos a brincar de Jacarandá...
Somos crianças de entendimento. Trazemos o legado dos nossos pais, que nos colocavam na linha por intermédio do castigo, da surra. Algo necessário até que tivéssemos alcançado a maturidade.
E esta era a situação do povo Israel: Até que se revelasse o descendente prometido de Deus, Jesus, este povo seria relativamente preservado pelas obras da lei, pois ainda não estavam maduros espiritualmente.
Não há, porém, nenhuma justificativa para que nos coloquemos debaixo de jugo, principalmente do jugo alheio.

Deus, em Cristo, pagou o preço que não conseguiríamos pagar, perdoou todos os nossos pecados. A sua lei, a lei do amor, é-nos impressa diariamente nos nossos corações. É dele que vem o nosso fruto, não de nós mesmos, para que ninguém se glorie.

A gratidão que nos enche o coração pelo que Ele fez por nós é o nosso verdadeiro culto...

Levantar, andar, trabalhar a cada dia, lidar com as pessoas, tudo isso mostra o quanto sou dependente da Sua Graça, pois de mim mesma nada posso. Louvo ao Senhor por ter me aceito do jeito que sou, pois jamais conseguiria alcançar a perfeição. E é nessa certeza que continuo caminhando, pois ² Deus é quem opera em mim tanto o querer quanto o realizar...

Rosana K.Bulgakov

1. Gálatas 4:30,31
2. Filipenses 2:13

domingo, 28 de março de 2010

Amor Incondicional




É maravilhoso saber que Deus me recebe e me aceita do jeito que sou.
É maravilhoso compreender que Deus estava em Cristo me reconciliando consigo mesmo...
Mas esse fato nem sempre é proclamado devidamente pelos “atalaias oficiais”...
Aliás, a imposição de regras, leis e disciplinas é muito mais apregoada que a Graça do Senhor.
São milhares levando um fardo imenso em suas costas. Milhares que, desde a infância, aprendem que a benção de Deus é algo frágil e que depende de nós... se não andarmos na linha a perderemos.
Milhões de miseráveis de alma que vão adoecendo dentro da religião, esta que supostamente detém o poder de nos conduzir a Deus... e são levados para longe dEle, posto que Ele seja amor, mas o que lhes é apresentado não passa de um Deus caprichoso e cruel, interessado no seu ganho e em que você se torne uma múmia ambulante.
Ah... mas quando você conhece a Jesus... não este Jesus das igrejas, mas este que o Evangelho nos apresenta. Este Jesus que disse à mulher adúltera: “nem eu te condeno”, que disse aos religiosos: “vocês negam o mais importante da lei: a misericórdia, a justiça e a fé”, que disse a Lázaro: “Vem para fora!”, que não deixou que os discípulos afastassem dele as criancinhas, mas , pelo contrário, as abençoou. 
Sim! Este Jesus que entregou a própria vida por cada um de nós! Este Jesus que não fez acepção de pessoas, e que comeu em casa de publicanos e pecadores, sendo chamado de amigo deles e comilão e beberrão de vinho.
Sim! Este Jesus que vê oportunidade de revelar o seu amor mesmo na hora de pedir um pouco de água, como fez à mulher Samaritana.
Ele não estipula horário e nem condições para nos amar.
Sua Graça (favor imerecido) é nos dada gratuitamente.
Sua benção permanece em nós, ainda que sejamos fracos e falhos, posto que ainda estejamos num corpo não glorificado. Mesmo assim, ele nos acolhe e nos fez a todos filhos de Deus, basta apenas crer. O que passar disso não é Evangelho e o apóstolo Paulo nós dá a liberdade de chamar anátema.
Rosana K.Bulgakov

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Reino de Deus




"Meu coração ferve com palavras boas", já dizia o salmista.
Davi, mesmo vivendo no tempo da lei, era consciente da Graça. Por isso ele não pensou duas vezes quando comeu dos pães da proposição quando teve fome...
Sempre gosto de recordar que a lei, a moral ou seja o nome que dermos às práticas humanas com a intenção de barganha com Deus, nunca poderá nos aproximar dEle. Nossas justiças são como trapo de imundícia, como disse Isaías.
E daí, vamos então deixar de praticar o bem por termos sido justificados única e exclusivamente pela fé no Filho de Deus?
Obviamente que não. Aliás, quem vive na consciência da Graça vive em graça. Esta se manifesta no andar de olhos abertos para as necessidades do nosso próximo.
A água que se tornou em fonte dentro de nós leva graça, amor e misericórdia ao nosso redor. De fato, ela se tornou em bem para a nossa própria existência.
Nessa consciência, perde todo o poder de controle aquilo que é fora do Evangelho.
Faço o bem por causa do bem que Deus, em Cristo, me fez. Não o faço com a inteção de chamar a atenção dEle, pois o preço já foi pago.
Infelizmente há muita gente vivendo nesse estado de culpa e de dívida para com Deus. Tem-se que estar fazendo alguma coisa. De fato, a religião é experiente no negócio da culpa. Ela lucra com a culpa dos homens.
Querido amigo, em Cristo não há mais culpa! Deus reconciliou consigo o mundo! Basta apenas arrepender-se e crer.
Tenha isso em mente e no coração, e só então você verá como o dar fruto se tornará um processo natural na sua vida, aliás, divino, pois é de Deus que vem o nosso fruto e não de nós mesmos.
Buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça não tem nada a ver com ir à "igreja" em determinados dias, fazer campanhas sem fim, fazer penitências ou promessas de leituras bíblicas ou determinadas horas de joelho. Aliás, nem mesmo fazer uma oração "forte" se configura em Reino de Deus.
Reino de Deus diz respeito à prática do bem ao próximo. Deixar de lado o egoísmo e andar de olhos abertos, como vemos no contexto de Mateus 6. Este capítulo começa com algumas recomendações sobre a prática do bem que não precisa de testemunhas. E isso só faz algum sentido quando não o faço para ter alguma coisa, mas porque já o tenho, em Deus.
É o bem para a própria vida. A seiva da árvore na qual estamos ligados.

Rosana K. Bulgakov

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Proibido Pensar


Acabo de assistir a um filme secular o qual transmitiu a mensagem do Evangelho muito mais claramente do que muitas das nossas instituições evangélicas. O filme se chama Resistindo às Tentações e tem por atores principais Cuba Gooding Jr e a famosa Beyonce.
As letras musicais diziam basicamente o seguinte:
"...pois eu não presto, mas Ele ainda me ama..."
"sou grato pelo Seu amor"
"o mundo só me amará se eu tiver sucesso, mas eu sei que Ele me ama"
"Não importa o que você é ou o que tenha feito, é tempo de voltar pra casa..."; " o Seu amor me encheu", "fui resgatado pelo salvador" ... etc

Me emociono em ver o Evangelho sendo pregado em um filme "mundano", algo totalmente inconcebível para um legalista.
Realmente o legalismo mata, a começar pela morte do raciocínio dentro das igrejas.
Fico aterrada com os "cultos" que tenho presenciado. Cultos estes onde são gritadas maldições e fatalidades para quem se vê livre da lei do antigo testamento.
Um evangelho, se não deliberadamente falso, equivocado, posto que baseia-se em morais de causa e efeito: " É por isso que você não prospera!! É porque não é fiel!"; "Faça um compromisso!"; "Cuidado!"; e coisas semelhantes a estas.
É o velho véu.
Não há uma verdadeira compreensão do que as escrituras dizem sobre o lavar as vestiduras no sangue do Cordeiro. Para o legalista, isso significa seguir um pacote de regras do velho testamento e mais uma porção da moral vigente. Não entende-se que a salvação é pela no Filho de Deus, no sacrifício consumado, no sangue derramado pelo qual JÁ ESTAMOS LIMPOS, basta apenas crer!

Certas denominações proibem o pensar. Questionar os líderes ou o que é feito nos bastidores é pecado, é tocar no "ungido" de Deus.
Sinceramente, estou farta desse mau uso das Escrituras, estou farta de líderes que não usam de honestidade para tratar dos problemas da igreja, principalmente financeiros, e que usam a Bíblia para descarregar seus impropérios.
Estou farta desse evangelho controlador e opressivo.
Se o Filho do Homem vos libertar, verdadeiramente sereis livres, é o que Jesus diz.
E nosso querido Paulo diz: Como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?
Portanto, assim como este apóstolo, também ouso dizer: Que ninguém me inquiete, pois trago no corpo as marcas de Cristo.
Jesus não morreu em vão. O recebo como meu único e suficiente salvador e me recuso a ficar debaixo do jugo da religião, pelo menos do que pensam ser religião, com seus dogmas, 'cultos' opressivos, campanhas e sacramentos, pois a religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo (Tg 1.27)

Graça e paz

Rosana K. Bulgakov

domingo, 10 de janeiro de 2010

A palavra que tenho pregado¹



"Diferentemente da lei,na qual Deus fala contra mim, no evangelho ele fala em meu favor"².

É impressionante o número de cristãos que dão um tratamento equivocado à Bíblia, tratam-na como amuleto ou um livro de palavras mágicas. Outros ainda a vêem como um manual de conduta, não entendendo, no entanto, o que lêem.
Não é de se admirar que a igreja esteja composta por tanta gente enferma de alma, posto que não tenham compreendido o caráter libertador do Evangelho.
Grande parte da culpa, não anulando a responsabilidade pessoal, é da religião que tem imposto mediadores entre Deus e os homens.
Quantos não confiam cegamente em seus guias? Quantos não assumem um compromisso com a instituição crendo que seja com o próprio Deus? Quantos se sentem a vontade para questionar os seus líderes?
Assim, vai-se, pouco a pouco, fortalecendo um mecanismo de controle no qual a religião, e não Deus, vai comprando todo tipo de mercadorias, inclusive almas humanas³.
Tais guias, embora conheçam bem a verdade das Escrituras, não a proclamam para não perderem o reinado, ignorando a mensagem de Jesus: "Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal"(Mc 10.43).
Assim, vai-se tecendo, gradativamente, falsos evangelhos, alguns baseados nas leis da velha aliança, a qual o escritor de Hebreus declarou antiquada; outros baseados na moral vigente, como se alguém pudesse, por seus próprios méritos, obter salvação; e outros ainda baseados em visões e experiências pessoais.
A lei se cumpriu em Cristo.Isto significa dizer que Cristo cumpriu a lei por mim, aquela que me traria maldição se eu não a cumprisse por inteiro. Isto fazendo, Jesus tomou o meu lugar também no castigo. É através de Jesus que o Pai me vê agora!Esta é a Nova Aliança. Esta é a Graça!
Quais as implicações desse favor imerecido? Ora, para começar falemos de liberdade. Jesus não falou de um lugar específico para adorar a Deus, mas falou do ser em adoração constante: "Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade" (Jo 4.23).
Jesus não apresentou um pacote de ordenanças mas chamou-nos a auto-análise. Basta constatar isso no Sermão da Montanha.
Seguir leis, regras e ritos como culto de exterioridades só me serve para ganhar louvores dos homens. No entanto, Deus conhece o meu coração.
É nessa verdade que Cristo me propõe que eu ande, sabendo que o perdão já me foi dado. Nessa caminhada somos moldados pelas próprias mãos de Deus, posto que nosso corpo seja ainda barro...

Rosana K.Bulgakov

¹João 12.48
²BAYEER, Oswald. A teologia de Martim Lutero
³ Apoc. 18.13

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Moral de Causa e Efeito - Monografia

A Moral de Causa e Efeito no Discurso Religioso é um trabalho acadêmico apresentado no Curso de Letras (Português e Inglês), como recurso parcial de graduação.

clique aqui para ler

Templo ou Evangelho


E João lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue.
Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim.
Mc. 9:38,39


Tenho aprendido a pertinência dessa palavra de Jesus¹. Realmente esse espírito de superioridade da instituição está arraigado de tal forma em nós que, tornou-se difícil "evangelizar" sem se convidar a ir à "igreja".
Os discípulos de Jesus, um pouco antes dessa passagem, haviam discutido entre si qual era o maior. Jesus deu-lhes uma lição de humildade tomando uma criança e mostrando que todos deveriam se parecer com ela...
Pareceu que não entenderam muito bem a lição. Devem ter entendido que a superioridade não estava na individualidade, mas no grupo, daí terem se achado os bons, pois andavam com o Mestre! Resultado: "nós lho proibimos" Mc 9.38
Jesus, mais uma vez, dá-lhes outra lição: "Quem não é contra nós, é por nós"Mc 9.40

Jesus tem ovelhas em todos os lugares, até mesmo fora do aprisco, e a Ele convém agregá-las. Não é à toa que a palavra diz que teríamos surpresas naquele grande dia.

Sinceramente, tenho amigos os quais tem ouvido o Evangelho, mas não os estimulo mais a ir ao templo, pois este tem sido o lugar onde menos se ouve do evangelho da Graça. Há uma série de invenções e doutrinas de homens, aplicações de versículos fora do contexto, disputas de poder, idolatrias, falsa comunhão, dentre outros.
Assim, a igreja vai se tornando literalmente um rebanho não pensante, doente, cheio de medos e paranóias. Muitos são levados ao ato da barganha, oprimidos pelo jugo da religião que lhes impõe uma série de mandamentos da velha aliança e outros tantos da moral vigente.

(continua - Clique em 'Mais informações' logo abaixo)

A Segurança da Graça


A Graça é algo assim, você está apaziguado não importa se você está no vale da sombra da morte ou se está sobre as alturas da terra, Deus está contigo em todos os momentos.

A Graça te dá liberdade de ser quem é. Ela te deixa livre para descansar em Deus, sabendo que é no amor que você realmente produz fruto.

Essa é a boa nova do Evangelho: Jesus nos trouxe cura na alma para que continuássemos sendo sarados no caminho da vida. A Graça é um processo contínuo de aprendizagem.

Ela nos fala de vida e não morte, mesmo que esta vida se revele em meio à dor da morte. 

Ela fala de liberdade, mesmo que esta se revele atrás de grades.

A Graça não aprisiona ninguém, mas faz nascer dentro de quem crê uma fonte que salta para a vida eterna.

Assim, a Graça fala da água que transborda e que acaba por inundar a própria vida. Neste processo,outras vidas são inundadas no caminho. É natural. 



Rosana K.Bulgakov

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