segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

CONSOLO EM DEUS

Como pastor apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço; as que amamentam guiará suavemente. Isaías 40:11 
Cristo veio para consolar a todos os tristes. Não queria falar da dor, pois como qualquer ser humano, temo a dor.
Porém, sinto-me compelida a abraçar você, amigo que chora. Mas o que dizer? Como consolar a quem perdeu um ente querido? Muitas vezes não conseguimos encontrar palavras que consolem, mas ainda creio que o Espírito do Senhor possa fazê-lo. 
Isaías 61 diz : O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos...
O Evangelho me ensinou muitas coisas nos últimos anos, dentre elas a certeza de que a minha vida não se resume a esta existência¹, pois sou tão efêmera quanto a erva². 
É nessa certeza que faço as declarações:  
-Creio que um dia reencontraremos nossos amigos e entes que um dia partiram para a eternidade. E lá  constataremos que nunca os havíamos perdido, mas apenas nos havíamos separado temporariamente, como em uma viagem. 
-Creio que um dia esse corpo corruptível se revestirá de incorruptibilidade e as doenças e enfermidades que tanto nos assolam deixarão de existir. 
 -Creio que um dia esse mundo tenebroso será transformado num novo mundo, onde existirá paz e alegria sem fim. 
-Creio que não haverá mais escolhas a serem feitas em matéria de bem ou mal, pois só o que é justo prevalecerá. 
-Sim! Creio no que disse a grande voz no apocalipse: E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. Apocalipse 21:4 
-Creio num novo céu e numa nova Terra.  
-Creio no amor infinito de Deus, que quis salvar a humanidade. 
-Creio em Deus, num Deus cujo trono é o céu e a terra o estrado dos seus pés. Um Deus que não barganha com você mas que apenas pede que confie nele, mesmo em meio a dor. Isto chama-se fé! 
-Creio que a eternidade tem muito a nos revelar. É inútil procurar agora os porquês de tudo, já que o mundo está no maligno. 
-Creio que Deus permite que choremos e nos lamentemos como o justo Jó, mas também creio que a alegria vem pela manhã. Qual será essa manhã? Eu não sei, mas Ele sabe. Portanto, amigo que sofre, não se entristeça ao ponto de perder a razão de viver ou de crer em Deus. 
Talvez você tenha sido levado a acreditar num mundo fantasioso, cujos crentes nunca seriam assolados pelas doenças ou pelo infortúnio. Foi levado a “rhemar” por um mar de bem-aventuranças infinitas, ignorando o mundo que o cerca. 
Quando, porém este mundo fez-se verdadeiramente visível apesar de todas as tuas declarações de fé, você desejou a morte ou teve raiva de Deus. 
Mas esquece-te do que Jesus nos disse: No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo! 
Você não precisa pular de alegria e iludir-se em meio às dificuldades, mas anima-te! Levanta e anda! Prossiga para o alvo! Creia que o próprio Jesus te abraça nesse momento e diz: Estou contigo até o fim. É isso o que o Evangelho ensina. 


 Rosana K. Bulgakov

domingo, 13 de dezembro de 2020

SAL E LUZ


Onde morei há alguns anos conheci alguém assim...

Nossa amizade começou com pequenos gestos que ultrapassaram a educação do elevador.

Não recordo qual foi a sua primeira ação, pois foram tantas que minha mente simplesmente não consegue enumerar e organizar. 

Dar uma carona num dia chuvoso, abrir um portão, trazer de volta um gato que escapou sem notarmos foram as que iniciaram a nossa amizade.

Estava passando por um momento difícil, uma mudança recente e consequente endividamento. Até meus bichanos às vezes sentiam nossas privações. 

Bati em sua porta certa vez pra saber se ela tinha um punhado de ração, pois sabia que ela também possuia gatos. Não preciso dizer qual foi o resultado dessa minha visita... mas seu gesto de bondade repetiu-se várias vezes.

Após certo tempo de amizade consolidada, batendo papo, ela me contou sobre um resgate que havia feito há cerca de um ano antes na frente do prédio onde morávamos. Uma cadela que, durante uma noite de chuva fina, não se aguentava sobre as patas. Qual não foi minha surpresa ao recordar dessa noite! Pois eu mesma havia visto esse serzinho da minha sacada e, sem condições de fazer esse resgate, havia pedido a Deus que movesse alguém para resgatar esse animal... a Mércia foi a resposta da minha prece! E lá estava eu a ouvindo  narrar a história!

Conheci, algum tempo depois, a Corrente do Bem de Brasília, que atende pessoas em situação de escassez  e quis colaborar com o projeto. À época comecei a recolher doações para composição de cestas básicas. Por vários meses a Mércia passou a deixar uma caixa cheia de mantimentos na minha porta para ajudar.

Até que ela "adotou" uma senhorinha com câncer que atendíamos no projeto. Passou a ajudá-la desde as locomoções para o hospital, compra de medicamentos, até o sustento dos seus cachorros, suas únicas companhias...

Enfim, se eu não conhecesse Aquele para Quem fazemos o que fazemos, com certeza quereria conhecê-Lo por causa da Mércia.

Que nossa generosidade, gentileza e amor ultrapasse o grupo religioso e as paredes do templo.

Rosana K. Bulghakau

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

A QUEM ENVIAREI?

A quem enviarei?
Quem irá por mim?
Vejo a criança cansada a  chorar
Vejo o triste ancião à morte esperar
Vejo a faminta mãe sem forças pra lutar
E tantos outrora fortes, sem os olhos levantar

Quem irá por mim?
Até quando esperarei?

Sou Eu a  criança
Também sou o triste ancião
Estou na mãe faminta a esperar pelo seu pão
Estou nas ruas e nas prisões
Nos hospitais,  orfanatos  e quarteirões

São vidas essas por quem padeci
Por ti esperam para que a mim possam ouvir

Rosana K. Bulgakov
Maio/2002

terça-feira, 3 de novembro de 2020

O ESPÍRITO DA ÉPOCA





        Algo que começo a me cansar de ver acontecer sempre que  tentam justificar práticas não ensinadas por Cristo é a falácia do discurso de ódio dos cristãos.
     Embora a história também relate perversidades praticadas por cristãos, principalmente na chamada Era das Trevas, essas foram práticas de grupos que transformaram o evangelho de Cristo em religiosidade, e a base cristã da prática do bem em Causa Moral.

        Acho que está na hora de se fazer perceber  que  foram os cristãos  as maiores vítimas do discurso de ódio na humanidade. Senão, dê uma passeada no livro de Atos dos Apóstolos. Sempre onde chegavam e pregavam a Palavra, ou eram presos ou espancados.

        Veja o caso da menina que tinha um espírito de adivinhação e que dava muito lucro para os seus senhores e como os apóstolos foram açoitados com varas e lançados na prisão pelos moradores da região por haverem  expulsado o espírito imundo dela.

        Mais adiante, em Atenas, presenciamos o quanto Paulo sentia-se perturbado por ver a cidade tão entregue à idolatria e  como foi escarnecido por pregar a Jesus e a ressurreição  dos mortos.

       Em Éfeso, onde havia o grande templo da deusa Diana, adorada pelos efésios e pelo mundo de então, o Evangelho pregado por Paulo começou a tirar o lucro daqueles que faziam imagens de escultura, pois a multidão dos que criam na Palavra entendia que não eram deuses o que se era feito por mãos humanas. 

       Ao relatar sobre isso em 2 Coríntios ele diz: Não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos da própria vida. Esse relato mostra a natureza do sofrimento e da perseguição que sofreram pela verdade.

        Em Jerusalém os judeus os acusavam de pregar contra a circuncisão e "por isso" procuraram matá-los.

        Há registros de que Pedro e André foram crucificados  por amor a Cristo e ao que ele os incumbiu de ensinar, não sem antes sofrerem muitas torturas.

        Cogita-se que João teria sido lançado vivo em óleo quente. 

     Muitos foram apedrejados, degolados, queimados vivos, enforcados e sofreram toda sorte de atrocidades por amor ao Evangelho.

         A própria atualidade mostra isso, quando vemos cristãos sendo degolados na França, outros sendo sequestrados e mantidos em cativeiro no Mali até que resolvam quando matá-los. 

           Milhares  na  China sendo impedidos de professarem sua fé publicamente, já que lá, a única fé permitida é o ateísmo. 

       Na   Coréia  do Norte, onde o ditador comunista deve ser reverenciado como um deus, a doutrinação anti-cristã é tão intensa ao ponto de as crianças delatarem seus próprios pais às autoridades comunistas.

           Na Nigéria há frequentes casos de cristãos sendo sequestrados pelo grupo terrorista Boko Haran, que   não poupa  nem mesmo as   crianças, as transformando em escravas ou noivas dos militantes.

         Então, há muito que se rever sobre supostos "discursos de ódio" que o cristão teria ao pregar a salvação em Cristo.

        Pois o que eu vejo na história e na  presente época é que há sempre uma desmoralização do Cristianismo e de suas bases, fruto de uma influência ideológica anti-cristã, já que os valores cristãos são um impedimento para que os engenheiros sociais redefinam a sociedade.

         É muito conveniente chamar o cristão de retrógrado ou intolerante quando o espírito da época quer que eles sejam vistos dessa forma.

         Como consequência disso,  vemos famílias sendo destruídas e práticas degradantes sendo cada vez mais divulgadas e valorizadas.

        Seguindo na  contra-mão do que é difundido, o Evangelho vem para dizer ao mundo: Chega de práticas para se chegar a Deus, Ele mesmo veio até você. 

          Veio pra dizer que o grande sacrifício já foi feito, não são necessários outros mais.

          Veio para dizer que quem bebe da fonte que Cristo dá nunca mais volta a ter sede, e por isso, não há necessidade de se beber de outras fontes.

          Veio para quebrar as correntes que impedem a alegria da Salvação e sem barganhas!

Veio para trazer a consciência e, como resultado dessa e do arrependimento, o perdão do nosso pecado.

          O Evangelho de Cristo é mais que um legado a ser passado às gerações. É libertação!

        A libertação que transcende as circunstâncias, o que torna capaz o cristão sofrer as mais terríveis perversidades.

         Jesus mandou que fôssemos ao mundo inteiro e fizéssemos discípulos em Seu nome. Isso é muito mais que abraçar o mundo e dizer que Deus o ama. Significa apontar para esse mundo o Caminho.


Rosana Bulgakov


Fontes: Bíblia, Missão Portas Abertas, Citizengo.org, Terça Livre

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Por favor, não fale nada

Por favor, não fale nada
Se o conselho que me deres
Referir-se ao linguajar correto de um cristão.
Por favor, não fale nada
Se não for para sua fala vir acompanhada de atitudes
Não, não fale nada. Silencie. Até que sua caridade possa ser ouvida...
mesmo que em sussurro...
Não quero ouvir discursos,
Pedaços não são juntados com conselhos.
Há muito desiludi desse pseudo-evangelho.
Há muito desgastei-me com os contos rehma, rehma
Há muito aborreci-me com essa moral de causa e efeito
Onde sempre deve haver um motivo para o meu sofrimento.
Não, querido irmão!Não quero mais te ouvir!
Se não quiseres também entender que o vale talvez seja necessário!
E nesse vale...quem sabe eu encontre refrigério...
Não quero ouvir  filosofias,
Não quero parecer cristã,
Se  o evangelho não estiver em minhas entranhas.


Rosana Bulgakov




sábado, 26 de janeiro de 2013

Como Sou Bom!












Lendo hoje Razão e Sensibilidade, de Jane Austen, lembrei-me daquela passagem de provérbios que diz que as misericórdias dos ímpios são crueis.* Está bem, não somos ímpios, pelo penos de forma declarada... mas, vejamos...

Somos constrangidos a uma boa ação, podemos fazer mais, porém encontramos justificativas para não a fazermos na íntegra...e ficamos tranquilizados com isso. De fato, somos seres egoístas, mesquinhos, gananciosos e presunçosos. Gabamo-nos de nossas realizações, mas, se as pudéssemos pesar numa balança, ficaríamos frustrados ao perceber que o ponteiro nem sairia do lugar.**

Justificamos nossas omissões, intolerâncias e avarezas. Somos possuídos por nós mesmos, pois acaba sendo tudo o que importa. Fazemos aquele chá para nosso companheiro somente depois de horas tentado dormir ao barulho de suas tosses. Caridades são puro desejo de holofotes. Fazemos certas 'bondades' pensando no bem que elas nos trarão.

No romance, a mulher do sr. Dashwood , o prometido bem-feitor da família, é descrita como a perfeita caricatura de si mesma. Ela o convence a fazer menos do que poderia ser feito, alegando que boa parte dessa fortuna seria tirada do filho. No lugar da anuidade que pagaria aos seus entes, o sr. Dashwood decide que ocasionais doações seriam feitas, em comida ou em bens. Ele sente-se perfeitamente confortável com os argumentos da esposa. A promessa feita ao seu pai no leito de morte,  de que traria conforto à sua madrasta e meio-irmãs,  vai lentamente perdendo toda a sua expressão.

Quantos problemas não seriam de fato resolvidos? Quantas privações não precisariam ser provadas? Quanta dor não precisaria ser sentida? Mas graças a Deus que, em meio a tantas dificuldades e provações, Ele traz também a provisão, o livramento e a capacidade de se andar com os próprios pés. Minha oração nesse dia é para que Deus nos cure de nós mesmos, fazendo brotar em nosso interior a fonte da água que salta para a vida eterna.***

Que tal fonte se expresse em amor verdadeiro, bondade sem interesses, caridades sem pretenções, misericóridias sem ameaças e dádivas sem julgamentos.

Rosana Bulgakov

 *Pv. 12:10
 ** Is. 64:6
 ***Jo. 4:14

domingo, 13 de janeiro de 2013

PARADOXOS



Se a contradição for o pulmão da história, o paradoxo deverá ser, penso eu, o espelho que a história usa para debochar de nós.

Nem o próprio filho de Deus salvou-se do paradoxo. Ele escolheu, para nascer, um deserto subtropical onde jamais nevou, mas a neve se converteu num símbolo universal do Natal desde que a Europa decidiu europeizar Jesus. E para mais inri, o nascimento de Jesus é, hoje em dia, o negócio que mais dinheiro dá aos mercadores que Jesus tinha expulsado do templo.

Napoleão Bonaparte, o mais francês dos franceses, não era francês. Não era russo Josef Stalin, o mais russo dos russos; e o mais alemão dos alemães, Adolf Hitler, tinha nascido na Áustria. Margherita Sarfatti, a mulher mais amada pelo anti-semita Mussolini, era judia. José Carlos Mariategui, o mais marxista dos marxistas latino-americanos, acreditava fervorosamente em Deus. O Che Guevara tinha sido declarado completamente incapaz para a vida militar pelo exército argentino.

Das mãos de um escultor chamado Aleijadinho, que era o mais feio dos brasileiros, nasceram as mais altas formosuras do Brasil. Os negros norte-americanos, os mais oprimidos, criaram o jazz, que é a mais livre das músicas. No fundo de um cárcere foi concebido o Dom Quixote, o mais andante dos cavaleiros. E cúmulo dos paradoxos, Dom Quixote nunca disse sua frase mais célebre. Nunca disse: Ladram, Sancho, sinal que cavalgamos.

"Acho que você está meio nervosa", diz o histérico. "Te odeio", diz a apaixonada. "Não haverá desvalorização", diz, na véspera da desvalorização, o ministro da Economia. "Os militares respeitam a Constituição", diz, na véspera do golpe de Estado, o ministro da Defesa.

Em sua guerra contra a revolução sandinista, o governo dos Estados Unidos coincidia, paradoxalmente, com o Partido Comunista da Nicarágua. E paradoxais foram, enfim, as barricadas sandinistas durante a ditadura de Somoza: as barricadas, que fechavam as ruas, abriam o caminho.

p. 126
Eduardo Galeano in O Livro dos Abraços.

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