Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. Rom. 1: 16
segunda-feira, 14 de dezembro de 2020
CONSOLO EM DEUS
domingo, 13 de dezembro de 2020
SAL E LUZ
Onde morei há alguns anos conheci alguém assim...
Nossa amizade começou com pequenos gestos que ultrapassaram a educação do elevador.
Não recordo qual foi a sua primeira ação, pois foram tantas que minha mente simplesmente não consegue enumerar e organizar.
Dar uma carona num dia chuvoso, abrir um portão, trazer de volta um gato que escapou sem notarmos foram as que iniciaram a nossa amizade.
Estava passando por um momento difícil, uma mudança recente e consequente endividamento. Até meus bichanos às vezes sentiam nossas privações.
Bati em sua porta certa vez pra saber se ela tinha um punhado de ração, pois sabia que ela também possuia gatos. Não preciso dizer qual foi o resultado dessa minha visita... mas seu gesto de bondade repetiu-se várias vezes.
Após certo tempo de amizade consolidada, batendo papo, ela me contou sobre um resgate que havia feito há cerca de um ano antes na frente do prédio onde morávamos. Uma cadela que, durante uma noite de chuva fina, não se aguentava sobre as patas. Qual não foi minha surpresa ao recordar dessa noite! Pois eu mesma havia visto esse serzinho da minha sacada e, sem condições de fazer esse resgate, havia pedido a Deus que movesse alguém para resgatar esse animal... a Mércia foi a resposta da minha prece! E lá estava eu a ouvindo narrar a história!
Conheci, algum tempo depois, a Corrente do Bem de Brasília, que atende pessoas em situação de escassez e quis colaborar com o projeto. À época comecei a recolher doações para composição de cestas básicas. Por vários meses a Mércia passou a deixar uma caixa cheia de mantimentos na minha porta para ajudar.
Até que ela "adotou" uma senhorinha com câncer que atendíamos no projeto. Passou a ajudá-la desde as locomoções para o hospital, compra de medicamentos, até o sustento dos seus cachorros, suas únicas companhias...
Enfim, se eu não conhecesse Aquele para Quem fazemos o que fazemos, com certeza quereria conhecê-Lo por causa da Mércia.
Que nossa generosidade, gentileza e amor ultrapasse o grupo religioso e as paredes do templo.
Rosana K. Bulghakau
quarta-feira, 4 de novembro de 2020
A QUEM ENVIAREI?
Quem irá por mim?
Vejo a criança cansada a chorar
Vejo o triste ancião à morte esperar
Vejo a faminta mãe sem forças pra lutar
E tantos outrora fortes, sem os olhos levantar
Quem irá por mim?
Até quando esperarei?
Sou Eu a criança
Também sou o triste ancião
Estou na mãe faminta a esperar pelo seu pão
Estou nas ruas e nas prisões
Nos hospitais, orfanatos e quarteirões
São vidas essas por quem padeci
Por ti esperam para que a mim possam ouvir
Rosana K. Bulgakov
Maio/2002
terça-feira, 3 de novembro de 2020
O ESPÍRITO DA ÉPOCA
Acho que está na hora de se fazer perceber que foram os cristãos as maiores vítimas do discurso de ódio na humanidade. Senão, dê uma passeada no livro de Atos dos Apóstolos. Sempre onde chegavam e pregavam a Palavra, ou eram presos ou espancados.
Veja o caso da menina que tinha um espírito de adivinhação e que dava muito lucro para os seus senhores e como os apóstolos foram açoitados com varas e lançados na prisão pelos moradores da região por haverem expulsado o espírito imundo dela.
Mais adiante, em Atenas, presenciamos o quanto Paulo sentia-se perturbado por ver a cidade tão entregue à idolatria e como foi escarnecido por pregar a Jesus e a ressurreição dos mortos.
Em Éfeso, onde havia o grande templo da deusa Diana, adorada pelos efésios e pelo mundo de então, o Evangelho pregado por Paulo começou a tirar o lucro daqueles que faziam imagens de escultura, pois a multidão dos que criam na Palavra entendia que não eram deuses o que se era feito por mãos humanas.
Ao relatar sobre isso em 2 Coríntios ele diz: Não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos da própria vida. Esse relato mostra a natureza do sofrimento e da perseguição que sofreram pela verdade.
Em Jerusalém os judeus os acusavam de pregar contra a circuncisão e "por isso" procuraram matá-los.
Há registros de que Pedro e André foram crucificados por amor a Cristo e ao que ele os incumbiu de ensinar, não sem antes sofrerem muitas torturas.
Cogita-se que João teria sido lançado vivo em óleo quente.
Muitos foram apedrejados, degolados, queimados vivos, enforcados e sofreram toda sorte de atrocidades por amor ao Evangelho.
A própria atualidade mostra isso, quando vemos cristãos sendo degolados na França, outros sendo sequestrados e mantidos em cativeiro no Mali até que resolvam quando matá-los.
Milhares na China sendo impedidos de professarem sua fé publicamente, já que lá, a única fé permitida é o ateísmo.
Na Coréia do Norte, onde o ditador comunista deve ser reverenciado como um deus, a doutrinação anti-cristã é tão intensa ao ponto de as crianças delatarem seus próprios pais às autoridades comunistas.
Na Nigéria há frequentes casos de cristãos sendo sequestrados pelo grupo terrorista Boko Haran, que não poupa nem mesmo as crianças, as transformando em escravas ou noivas dos militantes.
Então, há muito que se rever sobre supostos "discursos de ódio" que o cristão teria ao pregar a salvação em Cristo.
Pois o que eu vejo na história e na presente época é que há sempre uma desmoralização do Cristianismo e de suas bases, fruto de uma influência ideológica anti-cristã, já que os valores cristãos são um impedimento para que os engenheiros sociais redefinam a sociedade.
É muito conveniente chamar o cristão de retrógrado ou intolerante quando o espírito da época quer que eles sejam vistos dessa forma.
Como consequência disso, vemos famílias sendo destruídas e práticas degradantes sendo cada vez mais divulgadas e valorizadas.
Seguindo na contra-mão do que é difundido, o Evangelho vem para dizer ao mundo: Chega de práticas para se chegar a Deus, Ele mesmo veio até você.
Veio pra dizer que o grande sacrifício já foi feito, não são necessários outros mais.
Veio para dizer que quem bebe da fonte que Cristo dá nunca mais volta a ter sede, e por isso, não há necessidade de se beber de outras fontes.
Veio para quebrar as correntes que impedem a alegria da Salvação e sem barganhas!
Veio para trazer a consciência e, como resultado dessa e do arrependimento, o perdão do nosso pecado.
O Evangelho de Cristo é mais que um legado a ser passado às gerações. É libertação!
A libertação que transcende as circunstâncias, o que torna capaz o cristão sofrer as mais terríveis perversidades.
Jesus mandou que fôssemos ao mundo inteiro e fizéssemos discípulos em Seu nome. Isso é muito mais que abraçar o mundo e dizer que Deus o ama. Significa apontar para esse mundo o Caminho.
Rosana Bulgakov
Fontes: Bíblia, Missão Portas Abertas, Citizengo.org, Terça Livre
quinta-feira, 13 de abril de 2017
Por favor, não fale nada
Se o conselho que me deres
Referir-se ao linguajar correto de um cristão.
Por favor, não fale nada
Se não for para sua fala vir acompanhada de atitudes
Não, não fale nada. Silencie. Até que sua caridade possa ser ouvida...
mesmo que em sussurro...
Não quero ouvir discursos,
Pedaços não são juntados com conselhos.
Há muito desiludi desse pseudo-evangelho.
Há muito desgastei-me com os contos rehma, rehma
Há muito aborreci-me com essa moral de causa e efeito
Onde sempre deve haver um motivo para o meu sofrimento.
Não, querido irmão!Não quero mais te ouvir!
Se não quiseres também entender que o vale talvez seja necessário!
E nesse vale...quem sabe eu encontre refrigério...
Não quero ouvir filosofias,
Não quero parecer cristã,
Se o evangelho não estiver em minhas entranhas.
Rosana Bulgakov
sábado, 26 de janeiro de 2013
Como Sou Bom!
Somos constrangidos a uma boa ação, podemos fazer mais, porém encontramos justificativas para não a fazermos na íntegra...e ficamos tranquilizados com isso. De fato, somos seres egoístas, mesquinhos, gananciosos e presunçosos. Gabamo-nos de nossas realizações, mas, se as pudéssemos pesar numa balança, ficaríamos frustrados ao perceber que o ponteiro nem sairia do lugar.**
Justificamos nossas omissões, intolerâncias e avarezas. Somos possuídos por nós mesmos, pois acaba sendo tudo o que importa. Fazemos aquele chá para nosso companheiro somente depois de horas tentado dormir ao barulho de suas tosses. Caridades são puro desejo de holofotes. Fazemos certas 'bondades' pensando no bem que elas nos trarão.
No romance, a mulher do sr. Dashwood , o prometido bem-feitor da família, é descrita como a perfeita caricatura de si mesma. Ela o convence a fazer menos do que poderia ser feito, alegando que boa parte dessa fortuna seria tirada do filho. No lugar da anuidade que pagaria aos seus entes, o sr. Dashwood decide que ocasionais doações seriam feitas, em comida ou em bens. Ele sente-se perfeitamente confortável com os argumentos da esposa. A promessa feita ao seu pai no leito de morte, de que traria conforto à sua madrasta e meio-irmãs, vai lentamente perdendo toda a sua expressão.
Quantos problemas não seriam de fato resolvidos? Quantas privações não precisariam ser provadas? Quanta dor não precisaria ser sentida? Mas graças a Deus que, em meio a tantas dificuldades e provações, Ele traz também a provisão, o livramento e a capacidade de se andar com os próprios pés. Minha oração nesse dia é para que Deus nos cure de nós mesmos, fazendo brotar em nosso interior a fonte da água que salta para a vida eterna.***
Que tal fonte se expresse em amor verdadeiro, bondade sem interesses, caridades sem pretenções, misericóridias sem ameaças e dádivas sem julgamentos.
Rosana Bulgakov
*Pv. 12:10
** Is. 64:6
***Jo. 4:14
domingo, 13 de janeiro de 2013
PARADOXOS
Se a contradição for o pulmão da história, o paradoxo deverá ser, penso eu, o espelho que a história usa para debochar de nós.
Nem o próprio filho de Deus salvou-se do paradoxo. Ele escolheu, para nascer, um deserto subtropical onde jamais nevou, mas a neve se converteu num símbolo universal do Natal desde que a Europa decidiu europeizar Jesus. E para mais inri, o nascimento de Jesus é, hoje em dia, o negócio que mais dinheiro dá aos mercadores que Jesus tinha expulsado do templo.
Napoleão Bonaparte, o mais francês dos franceses, não era francês. Não era russo Josef Stalin, o mais russo dos russos; e o mais alemão dos alemães, Adolf Hitler, tinha nascido na Áustria. Margherita Sarfatti, a mulher mais amada pelo anti-semita Mussolini, era judia. José Carlos Mariategui, o mais marxista dos marxistas latino-americanos, acreditava fervorosamente em Deus. O Che Guevara tinha sido declarado completamente incapaz para a vida militar pelo exército argentino.
Das mãos de um escultor chamado Aleijadinho, que era o mais feio dos brasileiros, nasceram as mais altas formosuras do Brasil. Os negros norte-americanos, os mais oprimidos, criaram o jazz, que é a mais livre das músicas. No fundo de um cárcere foi concebido o Dom Quixote, o mais andante dos cavaleiros. E cúmulo dos paradoxos, Dom Quixote nunca disse sua frase mais célebre. Nunca disse: Ladram, Sancho, sinal que cavalgamos.
"Acho que você está meio nervosa", diz o histérico. "Te odeio", diz a apaixonada. "Não haverá desvalorização", diz, na véspera da desvalorização, o ministro da Economia. "Os militares respeitam a Constituição", diz, na véspera do golpe de Estado, o ministro da Defesa.
Em sua guerra contra a revolução sandinista, o governo dos Estados Unidos coincidia, paradoxalmente, com o Partido Comunista da Nicarágua. E paradoxais foram, enfim, as barricadas sandinistas durante a ditadura de Somoza: as barricadas, que fechavam as ruas, abriam o caminho.
p. 126
Eduardo Galeano in O Livro dos Abraços.





