domingo, 23 de outubro de 2011

Lei da equivalência das Janelas




"Assim, eu, Brás Cubas, descobri uma lei sublime, a lei da equivalência das janelas, e estabeleci que o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência". (Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)

Isso foi o que Brás Cubas concluiu depois de ter devolvido ao seu devido dono uma moeda de ouro que encontrara logo após ter valsado e flertado com a mulher alheia a noite inteira, compensando, a seu modo, um ato leviano com um outro louvável.

Amanhã é domingo. Durante toda a semana fechou-se a janela da generosidade, do amor, da misericórdia e do perdão...mas não tem problema! Amanhã abrir-se-á a janela da devoção, do levantar das mãos e das canções pra 'Jesus' para desencargo de consciência.

Rosana Bulgakov

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Todos encontram o que realmente procuram





As Crônicas de Nárnia sempre me fascinaram, pois além da leitura estimulante que proporcionam, trazem o Evangelho de forma inteligente e emocionante. É realmente incrível a profundidade de ensino que cada aventura e cada situação nos mostra.

Hoje em especial, gostaria de refletir sobre uma cena do último livro das Crônicas: O encontro de um servo de Tash com o Grande Aslam.
Tal servo fora recebido pelo grande leão como sendo servo seu, pois fora o seu amor e a sinceridade de seu coração que o identificaram como servo de Aslam.

Mas afinal de contas, quem entrará no tabernáculo de Deus?1
O Salmista mostra que é aquele que anda sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração.
Discorrendo o salmo, todas as outras afirmativas enfatizam a sinceridade e a justiça, pois é esperado de quem seja justo que também não empreste com usura, não dê mau testemunho do inocente e que também não tenha duas palavras.
Desde os tempos bíblicos que os homens seguem a letra da lei (mesmo que esta tenha sido dada por Deus) para colocarem em prática a crueldade de seus corações.
Quantas mulheres não foram mortas por terem sido consideradas adúlteras?
Quantos não foram queimados vivos por seus escritos serem considerados hereges?
Quantos não foram excluídos por terem sido considerados pecadores?
É algo totalmente a contramão do Evangelho!

Em Mateus, Jesus afirma não conhecer (não andar junto de) aqueles que mesmo em seu nome profetizaram e fizeram muitas maravilhas, pois só Ele conhece a integridade do coração humano.

Que Deus nos ilumine a mente de tal maneira, que não caiamos no erro de nos transformarmos num saleiro recluso e muito menos numa arma de guerra em nome de Jesus. Pelo contrario! Que venhamos ser de fato o sal que esteja espalhado pelo mundo, contagiando a todos com sabor de vida, amor e graça.

Afinal, o que estamos procurando?


Rosana K. Bulgakov

1. Salmo 15

Aslam e Tash



“Esta é certamente a hora da minha morte, pois o Leão (que é digno de toda a honra) bem saberá que, durante toda a minha vida, tenho servido a Tash e não a ele. No entanto, melhor é ver o Leão e depois morrer do que ser Tisroc do mundo inteiro e viver sem nunca havê-lo encontrado.” Porém, o glorioso ser inclinou a cabeça dourada e me tocou a testa com a língua, dizendo: “Filho, sê bem-vindo!” Mas eu repliquei: “Ai de mim, Senhor! Não sou filho teu, mas, sim, um servo de Tash!” “Criança”, continuou ele, “todo o serviço que tens prestado a Tash, eu o considero como serviço prestado a mim.” Então, tão grande era o meu anseio por sabedoria e conhecimento, que venci o temor e resolvi indagar o glorioso ser: “Senhor, é verdade, então, como disse o macaco, que tu e Tash sois um só?” O Leão deu um rugido tão forte que a terra tremeu (sua ira, porém, não era contra mim), dizendo: “É mentira! Não porque ele e eu sejamos um, mas por sermos o oposto um do outro é que tomo para mim os serviços que tens prestado a ele. Pois eu e ele somos tão diferentes, que nenhum serviço que seja vil pode ser prestado a mim, e nada que não seja vil pode ser feito para ele. Portanto, se qualquer homem jurar em nome de Tash e guardar o juramento por amor a sua palavra, na verdade jurou em meu nome, mesmo sem saber, e eu é que o recompensarei. E se algum homem cometer alguma crueldade em meu nome, então, embora tenha pronunciado o nome de Aslam, é a Tash que está servindo, e é Tash quem aceita suas obras. Compreendes isto, filho meu?” Eu respondi: “Senhor, tu sabes o quanto eu compreendo.” E, constrangido pela verdade, acrescentei: “Mesmo assim, tenho aspirado por Tash todos os dias da minha vida.” “Amado”, falou o glorioso ser, “não fora o teu anseio por mim, não terias aspirado tão intensamente, nem por tanto tempo. Pois todos encontram o que realmente procuram.”


C.S. Lewis
As Crônicas de Narnia , Vol. VII
A Grande Batalha

sábado, 10 de setembro de 2011

Aos que choram



Como pastor apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço; as que amamentam guiará suavemente. Isaías 40:11

Cristo veio para consolar a todos os tristes.
Não queria falar da dor, pois como qualquer ser humano, temo a dor. Porém, sinto-me compelida a abraçar você, amigo que chora. Mas o que dizer? Como consolar a quem perdeu um ente querido?
Muitas vezes não conseguimos encontrar palavras que consolem, mas ainda creio que o Espírito do Senhor possa fazê-lo.
Isaías 61 diz : O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos...
O Evangelho me ensinou muitas coisas nos últimos anos, dentre elas a certeza de que a minha vida não se resume a esta existência, pois sou tão efêmera quanto a erva. É nessa certeza que faço as declarações:
-Creio que um dia reencontraremos nossos amigos e entes que um dia partiram para a eternidade. E lá constataremos que nunca os havíamos perdido, mas apenas nos havíamos separado temporariamente, como em uma viagem.
-Creio que um dia esse corpo corruptível se revestirá de incorruptibilidade e as doenças e enfermidades que tanto nos assolam deixarão de existir.
-Creio que um dia esse mundo tenebroso será transformado num novo mundo, onde existirá paz e alegria sem fim.
-Creio que não haverá mais escolhas a serem feitas em matéria de bem ou mal, pois só o que é justo prevalecerá.
-Sim! Creio no que disse a grande voz no apocalipse: E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. Apocalipse 21:4
-Creio num novo céu e numa nova Terra.
-Creio no amor infinito de Deus, que quis salvar a humanidade.
-Creio em Deus, num Deus cujo trono é o céu e a terra o estrado dos seus pés. Um Deus que não barganha com você mas que apenas pede que confie nele, mesmo em meio a dor. Isto chama-se fé!
-Creio que a eternidade tem muito a nos revelar. É inútil procurar agora os porquês de tudo, já que o mundo está no maligno.
-Creio que Deus permite que choremos e nos lamentemos como o justo Jó, mas também creio que a alegria vem pela manhã. Qual será essa manhã? Eu não sei, mas Ele sabe.
Portanto, amigo que sofre, não se entristeça ao ponto de perder a razão de viver ou de crer em Deus. Talvez você tenha sido levado a acreditar em fábulas, num mundo fantasioso, cujos crentes nunca seriam assolados pelas doenças ou pelo infortúnio.

Foi levado a “rhemar” por um mar de bem-aventuranças infinitas, ignorando o mundo que o cerca. Quando, porém este mundo fez-se verdadeiramente visível apesar de todas as tuas declarações, você desejou a morte por pensar não ter fé suficiente, ou teve raiva de Deus, já que ele supostamente te abandonou.
Mas ouça: se Deus faz com que o seu sol nasça sobre todos, tanto justos quanto injustos, saiba que a tempestade vem sobre todos também.
Não se esqueça do que Jesus nos disse: No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo!
Você não precisa pular de alegria e iludir-se em meio às dificuldades, mas anima-te! Levanta e anda! Prossiga para o alvo!

Creia que o próprio Jesus te abraça nesse momento e diz: Estou contigo até o fim.
É isso o que o Evangelho ensina.

Que o Espírito de Deus o console nesse momento.

Rosana K. Bulgakov

domingo, 19 de dezembro de 2010

Caminhos




Eu pretendia ser alguém invulnerável
Mas por onde passei sofri ambigüidades
Será que poderia chegar lá?

E lá pensava ter chegado
Apenas minutos se passaram e gemia
Mesmo assim, insisti no meu domínio

O domínio dele, insensatamente, abandonei
Então, mais um dia se passou
Tentei, por meus próprios meios, chegar a tempo

O tempo, porém, revelou-me o Eterno
A expectativa de alcançá-lo desabou
Me entreguei, então, à culpa e sofrimento

Mas sofrimentos deixam marcas
Ele mostrou também as suas
Adquiridas qual em meus caminhos

Meus caminhos não foram os seus
Mas seus pesares também tinha
Divindade sendo gente como eu

Eu, vazia, não quis acreditar
Ser a sua luz amor verdadeiro
Capaz de transformar a cada um

E cada um de nós, barro
Argila imperfeita no seu formato
Individualmente incapaz de tornar-se um vaso

E vasos somos feitos por suas mãos
Moldados dia a dia mansamente
Apesar desses caminhos tortuosos

Meu tortuoso domínio limitado
Finalmente a Ele quis oferecer
Modelada té que a tempo chegue lá

Rosana K.Bulgakov

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Desviei-me



“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”

Conheci a verdade e saí da “igreja”. Em outras palavras: desviei-me.
Sim, desviei-me do caminho do medo e desamor.
Desviei-me de um caminho onde muitos servem a Deus por temor, pois crêem ser Ele um senhor cruel, que ceifa onde não semeou e ajunta onde não espalhou.
Sim! Desviei-me de um caminho onde as pessoas são ensinadas a barganhar com Deus, a exemplo dos povos pagãos. Onde tudo é feito por interesse.
Acordei um dia e vi escravos levados às campanhas infindáveis e a “cultos” obrigatórios. Reféns do medo e das soluções imaginárias.
Descobri que buscar o reino de Deus e a sua justiça em primeiro lugar não significa freqüentar templos, já que o próprio Jesus disse: “Eis aqui quem é maior que o templo”.
Descobri que o reino de Deus e a sua justiça é justamente atender ao necessitado.
Compreendi finalmente que Ele espera ser adorado em espírito, no mais íntimo do meu ser, e em verdade, com todas as minhas entranhas nessa devoção. A certeza de não querer ser vista pelos homens. É no dia a dia, na minha casa, no meu trabalho, na minha vizinhança, em todos os lugares.
Desviei-me, pois de um caminho onde o Evangelho é destorcido. Onde o templo é mais importante que Jesus. Onde a prosperidade é um fim e o cargo religioso a evidência do “talento” em prática.
Acreditam mesmo que estamos perdidos... pois fora da “igreja” creem que não há salvação.
Para estes uma novidade: Fora de Jesus não há salvação. Crer em Jesus é tudo. Está consumado.
Cessaram-se os sacrifícios e todo tipo de jugo.
Eu e minha casa serviremos ao Senhor por amor e gratidão ao que foi feito na cruz do calvário.
Claro está que o serviço a Deus não se resume a participar de uma instituição.
Se isso acontecer será feito pelo prazer de se estar junto com outros irmãos queridos.
A bem da verdade, encontrei gente querida e abençoada muito mais agora do que em anos freqüentando templos. Gente cujo amor não está presente apenas no falar, mas também na prática diária.
Encontrei irmãos naqueles que a igreja rotula “perdidos”. Encontrei amigos entre aqueles que chamam “coitados”. Achei serviço e dedicação sem que precisasse pedir!
Enfim, desviei-me de um caminho enganoso, cheio de moralismos inúteis, para encontrar O Caminho, A Verdade, A Vida.

Rosana Bulgakov

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Ócio Religioso


Porque se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe... II Pe I.8


Pedro falava da nova postura que, como participantes da natureza divina, deveríamos tomar: fé, virtude, ciência, temperança, paciência, piedade, amor fraternal e caridade... uma coisa se somando sempre à outra.

Por que será que o ser humano prefere iludir-se?

Por que será que é preferível encher o gazofilácio em vez de encher a barriga de um menino de rua?

Por que será que é preferível bater ponto no templo aos domingos a visitar a viúva, o enfermo, o órfão ou até mesmo um amigo?

Por que será que se defende com unhas e dentes as hierarquias religiosas quando Jesus disse: “Tal não será entre vós”?

Por que será que precisamos de hora e lugar para adorar, deixando de adorar a Deus no trato das pessoas, na honestidade do trabalho, na piedade diante da necessidade e da dor?

Alguém um dia me falou: “Se a gente começar a dar esmolas por aí, vão montar uma barraca na porta da nossa casa...”

De repente é confortável que a “igreja” administre o dinheiro que deveria ser destinado aos pobres. Típico desencargo de consciência. É preferível não pensar.

De repente é preferível seguir as dissoluções dos falsos profetas que negam o Senhor que os resgatou (2 Pe 2.1), pois acreditam que o sacrifício de Jesus não fora o suficiente para sermos aceitos por Deus.

De repente é preferível rejeitar argumentos como estes por puro comodismo, afinal, segue-se normas humanas desde criança acreditando que elas vêm do próprio Deus.

Muitos, embora fazendo carreira na “igreja”, não foram informados ou não querem enxergar que estão apenas voltando ao passado e cumprindo leis alheias.

No novo estado de consciência na qual Cristo nos colocou, somos livres dos sacrifícios da culpa.

Somos livres para sermos filhos e, como filhos, participantes de maiores promessas. Daí o dar fruto não como exercício da culpa, mas como exercício do amor que Ele derramou em nossos corações.

Pedro, inspirado pelo Espírito, diz que se essas coisas se encontrassem em nós e se fossem abundantes, não nos deixariam ociosos no conhecimento do Senhor.

É fato. Se verdadeiramente observarmos os passos de Jesus, não nos faltarão oportunidades para exercermos o amor. E o verdadeiro amor lança fora todo medo.

"Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me". Mat 25.34-36



Rosana K. Bulgakov

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